Resumo do caso
Em decisão recente da 4ª Unidade Jurisdicional da Comarca de Uberlândia, o juiz Ewerton Roncoleta condenou uma companhia aérea a indenizar passageiros idosos em razão do cancelamento de um voo. O fundamento central foi o reconhecimento do chamado "fortuito interno": acontecimentos imprevisíveis ou inevitáveis que, embora imprevistos, estão relacionados aos riscos da atividade econômica da empresa e, por isso, não eximem a responsabilidade do fornecedor de serviços.
O que significa "fortuito interno"?
Fortuito interno é uma expressão usada para apontar eventos que, apesar de imprevisíveis ou inevitáveis, decorrem dos riscos inerentes à atividade do fornecedor — no caso, a operação aérea. Na visão do juiz do caso, quando o problema vem da própria operação da companhia (por exemplo, falha operacional, logística, manutenção preventiva insuficiente etc.), a obrigação de reparar danos aos consumidores pode ser imposta, porque tais eventos fazem parte dos riscos que a empresa assumiu ao prestar o serviço.
Importante: o entendimento diferencia fortuito interno (risco do fornecedor) de fortuito externo (força maior), que são causas alheias à atividade da empresa e, em regra, podem excluir a responsabilidade. No caso noticiado, o juiz entendeu que o cancelamento decorreu de risco ligado à atividade da companhia.
Quem é afetado por essa decisão?
- Passageiros que tenham sofrido cancelamentos de voos e prejuízos decorrentes (gastos, atrasos, perda de compromissos).
- Em especial, passageiros em situação de maior vulnerabilidade — como idosos —, que podem ter sofrido danos mais relevantes e, por isso, obteram tutela na decisão citada.
- Companhias aéreas e fornecedores de serviços aeroportuários, que devem observar que determinados eventos não serão automaticamente considerados excludentes de responsabilidade.
O que mudou na prática?
Não houve mudança legislativa, mas a decisão reforça um entendimento judicial: nem todo evento imprevisível libera a empresa de indenizar. Quando o problema estiver ligado aos riscos da própria atividade aérea, o consumidor pode ter direito à reparação por danos materiais e morais. Isso significa que as empresas precisam demonstrar com provas robustas que o evento era realmente externo e inevitável para justificar a ausência de responsabilidade.
O que o cidadão deve fazer ao enfrentar um cancelamento?
- Registre tudo: guarde bilhetes, cartões de embarque, e-mails, mensagens e protocolos de atendimento da companhia.
- Exija solução imediata: reacomodação em voo alternativo, reembolso ou transporte alternativo; registre a opção escolhida pela companhia por escrito.
- Documente despesas: guarde notas fiscais de alimentação, hospedagem, transporte e outros gastos decorrentes do cancelamento.
- Formalize reclamação: registre reclamação na própria companhia e em órgãos de defesa do consumidor e da aviação (por exemplo, Procon e órgãos reguladores). Sempre anote protocolos.
- Procure orientação jurídica: se houver prejuízo relevante ou dano moral, consulte um advogado para avaliar a viabilidade de pedido de indenização.
Prazos e observações importantes
É fundamental agir sem demora. Reclamações administrativas e a preservação de documentos devem ser feitas imediatamente após o evento. O prazo para ingresso de ação judicial (prazo prescricional) depende da natureza do pedido e das circunstâncias do caso, por isso a avaliação individual com um advogado é recomendada. Quanto mais rápido o consumidor buscar orientação, mais fácil será reunir provas e resguardar direitos.
Como um advogado pode ajudar?
- Avaliação da responsabilidade da companhia à luz dos fatos e provas (se configurou fortuito interno ou fortuito externo).
- Reunião e organização de documentos e despesas comprovadas.
- Propositura de ação judicial quando cabível, ou atuação em reclamações administrativas e negociações extrajudiciais.
Fonte: www.conjur.com.br — Tue, 16 Jun 2026 18:01:50 +0000
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Consultar GratuitamenteConclusão
A decisão de Uberlândia é um alerta: o simples fato de um evento ser imprevisível não garante automaticamente a exclusão da responsabilidade da companhia aérea. Quando o problema estiver ligado aos riscos inerentes à operação, o consumidor pode obter indenização. Preserve documentos, busque resolver administrativamente e, se necessário, procure orientação jurídica para proteger seus direitos.